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Córdoba , uma cidade para ser degustada

14 de agosto de 2012

Como tenho escrito, viajar para mim é a paixão mais antiga das que tenho lembrança, lugares e registros artísticos sempre nortearam meus sonhos de viagem. A Argentina nunca esteve na minha lista de prioridades, cheguei a observar tantas vezes expressão de surpresa em amigos, quando eu falava que não conhecia Buenos Aires. Pois é, só agora conheci Buenos Aires e outros tantos lugares pelo interior da Argentina, e sou sincera ao colocar que a decisão foi um pouco imposta pela questão milhas. Queríamos aproveitar nossas milhas que foram adquiridos em viagens e gastos com cartões de crédito para conhecermos o Equador, país que tem diversas relíquias históricas e belas paisagens. Como a Gol não vai até Quito, decidimos ir até Bogotá e de lá que é bem perto e barato voaríamos para o Equador.  Quando verifiquei que a Gol não voava mais a Bogotá, fiquei bastante desapontada, então a Argentina passou a ser o nosso destino de viagem, onde, eu e a família passaríamos 18 dias em julho. Gostamos de viajar alugando carro, percorrendo estradas vamos observando a paisagem até chegarmos aos lugares eleitos para serem explorados. Decidimos ir de Buenos Aires a Mendoza, no caminho ficaríamos uns dias em Córdoba para conhecê-la e visitarmos as Estâncias Jesuíticas.

Córdoba é uma cidade onde o antigo e o moderno, se mesclam o tempo todo, Jerônimo Luiz de Cabrera, conquistador espanhol, vice rei do Peru e governador do Tucuman,fundou a cidade em 1573, chamou de Córdoba de La Nueva Andalucia. Sua estátua está em uma praça central da cidade. A história da cidade ficou definitivamente marcada pela presença dos jesuítas. A Companhia de Jesus foi fundada por Santo Inácio de Loiola e alguns companheiros, o seu primeiro objetivo foi missionarista, de espalhar a fé cristã, não estando previsto que fosse uma ordem religiosa consagrada ao ensino. Como Santo Inácio de Loiola e os outros membros da companhia tinham freqüentado a Universidade pensaram em abrir “casas” ou “residências” junto das Universidades onde formariam os novos membros da companhia. Só mais tarde estas residências se transformariam em colégios. Jerônimo Nadal adere a companhia de Jesus a convite de São Francisco Xavier em 1545 e fica incumbido de elaborar os primeiros programas de ensino e de introduzir o Modus parisiensis(conjunto de normas pedagógicas que caracterizavam o ensino parisiense e lhe conferiam uma personalidade única e original. Os jesuítas chegam Córdoba em 1587 e em 1599 fundam a primeira casa da companhia nessa cidade, construída em terrenos cedidos pelo Cabildo local anos mais tarde nesse lugar se levantará a Igreja da Companhia de Jesus e o Colégio Máximo em 1613, que dará origem a primeira universidade do pais.

Esta história está preservada na cidade no conjunto arquitetônico conhecido por La Manzana Jesuítica, que é composto pela antiga sede da Universidade Nacional de Córdoba, pela Igreja da Companhia de Jesus, pela Capela doméstica, pela Residência e o Colégio de Monserrat. O conjunto foi tombado pela Unesco em 2000 como patrimônio cultural da humanidade. Vale a pena fazer a visita guiada, que acontece algumas vezes ao dia, com horários em inglês e  espanhol, custa 10 pesos, não precisa reservar é só chegar um pouco antes do horário na sala de entrada da universidade, fui no horário de 3 horas, em espanhol, o guia ótimo. O endereço é: Calle Obispo Trejo 5000.

Andar pelo cento histórico é muito fácil na Praça General San Martim, que é linda, está a Catedral e o Cabildo, que merecem visita. No prédio do Cabildo ao lado da Catedral, está o Museu de La Memória, uma bela homenagem aos perseguidos políticos pela ditadura militar, que na Argentina como no Brasil, Paraguai,Chile e tantos outros países,prendeu, torturou e assassinou diversas pessoas, manchando para sempre a história da América Latina.

Passear por Córdoba significa um encontro com a música, é impressionante como tem músicos tocando nas esquinas do centro, é bom ficar curtindo, vendo as pessoas circularem, é uma cidade alegre, viva. Além de tudo com uma gastronomia de dar gosto, os alfajores cordobeses são uma iguaria, não deixem de conhecer a fábrica La Costanera, é de 1927, toda preservada, continua nas mãos da mesma família,parece túnel do tempo, as receitas são explicadas gentilmente pela proprietária. Lembrando minha boca enche d’agua, lembrar do restaurante de comida árabe Al Malek também me trás a mesma sensação, se quiser experimentar, vá antes das nove da noite nos finais de semana ou reserve, fica lotado.Córdoba entrou no meu coração, lá o pão do café da manhã não é o francês ele tem identidade,  e  se chama criollito, eu gostei muito, claro que em todos os lugares tem a média luna. Se quiser um sanduíche experimente o do Café Sorocabana, também cheio de história, inclusive contada em seu jogos americanos de papel, lá o lomito é delícia como diz uma amiga.

Pois é amigos, pretendo escrever mais sobre a região de Córdoba no próximo post, contar das estâncias jesuíticas, e do Museu Casa de Che Guevara em Alta Gracia. Afinal a viagem foi longa, durante o caminho vi desertos e homenagens ao Gauchito Gil, o santo popular argentino, e também tive uma certeza Las Malvinas son Argentinas.

Roseli Cordeiro Pereira

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6 Comentários
  1. Helder permalink

    Roseli,

    Estive em um congresso na Universidade de Buenos Aires.
    Muitos lugares bonitos. Muitas fotos lindas.
    Mas, sem dúvida, a temática que mais me chamou a atenção foi a temática política.
    Na Praça de Maio, fiquei emocionado ao ler muitas faixas: “Las Malvinas son e serán argentinas!”
    Fiquei pensando nas informações que temos por aqui, segundo as quais a guerra pelas Malvinas está definitivamente perdida.
    Percebi que não.
    Vi que há um forte clamor por justiça.
    A Praça de Maio é um monumento à memória, não é?
    A história da Argentina sempre me causou sobremaneira.
    Como podemos estar assim, tão próximos e tão longe?
    Lembrei-me de Freud, quando ele fala do “estranho familiar”: um sentimento que nos ronda, que faz parte de nossa casa mas que, quando nos assalta, sentimos uma certa aversão por ele.
    Tenho muito prazer em ler sua viagem à Argentina, pelos caminhos da América, manchados de sangue.
    Houve um momento em que eu acreditava que seria possível fazer da América Latina “nossa Pátria Grande”.
    Não era só eu: muitos acreditávamos nisto.
    Depois, com a forte expansão capitalista, esta ideia pareceu murchar, como ideias de insensatos diante da História.
    Com o governo Lula e com as questões envolvendo a Bolívia e a Petrobrás, voltei a acreditar nesta utopia.
    Voltei a falar dela, onde quer que eu tenha espaço.
    Ingenuidade.

    Abraços.

    Helder.

    • Helder,conhecer a Argentina foi viajar muito emocionante, como você disse, tão perto, tão longe. Tento viajar de coração aberto para receber as informações que vão chegando no decorrer do caminho e passam a fazer parte da nossa existência.
      Beijos Roseli

  2. Lucimar permalink

    Querida Roseli,

    Que interessante ler sobre Córdoba. É como você estivesse contando os momentos de sua viagem de forma bem descontraída e em um ambiente bastante familiar, mas com riqueza de detalhes culturais.

    Parabéns por sua perspicácia!!!
    Abs,

    Lucimar

  3. Rosely querida!!! Boa noite! Mais uma viagem que faço. Dessa vez revivitando virtualmente uma província, na qual estive em 1999, e sabendo de mais detalhes bem contados por sua habilidade e fluência com as palavras. Como quase não abro este e-mail, vi só hj o novo post. Beijos e meu carinho para ti prima.

    Carla

    • Ei querida prima, que bom ter notícias suas, que bom que já esteve em Córdoba, é uma cidade que merece ser visitada.
      Beijos Roseli

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